"És a última peça do meu puzzle...és a última peça do meu coração....és a última peça para ser feliz"

domingo, 17 de abril de 2011

Capitulo 1 - O sorriso da Lua (Parte I)




Sabem aquela sensação de que nada está feito mas está tudo perfeito? Era como me sentia, algo estava a atormentar o meu coração e não sabia o que fazer!

Dou um passo em frente e começo a sentir a areia meia húmida da praia a fazer-me comichão nos meus pés. É uma autêntica sensação de liberdade e de alegria, de serenidade e paz. Deixo-me ficar parada a olhar para o oceano, para a infinidade do horizonte e ao mesmo tempo de sonhos e promessas. A Lua estava no seu maior esplendor de beleza, sorria, ao mesmo tempo que guardava os meus desejos. Respiro fundo e o cheiro a maresia deixa-me completamente derretida e com vontade que o tempo parasse naquele momento. Mas antes que o tempo pare, pego nas minhas sandálias tiradas antes de pisar a areia e descolo-me a correr para ir ter com aqueles malucos que já estava a gritar comigo. Ao chegar ao pé deles sento-me entre eles em cima de uma toalha improvisada á última hora.    

- Pessoal! – disse – Importam-se de olhar para mim? – ambos estavam a olhar para o oceano absorvidos em pensamentos

- Desculpa amor, diz – disse-me a Susana – estava só a pensar numas coisas… - olhei para o Rafael mas este continuava a olhar para o oceano de forma penetrante

- Importaste de me ouvir Rafa? – ele finalmente olhou para mim e deu-me um beijo na testa

- Estava a pensar na vida….mas diz! – levantei-me e pus-me de frente para eles sentada

- Acho que estamos todos a pensar no mesmo certo?

Era o último dia de férias do verão, a partir daquele dia as nossas vidas iriam mudar radicalmente já que iríamos entrar na faculdade. Embora fossemos para a mesma faculdade e para o mesmo curso, ficaríamos em turmas diferentes e consequentemente horários diferentes.

Sabem aquela sensação de alegria mas de incerteza? Aquela forte sensação de medo que nos faz apertar o coração? Era como me sentia com o aproximar de um dos dias mais importantes da minha vida. O facto de entrar na faculdade estava-me a deixar cada vez mais nervosa e desorientada. E se eu não conseguisse conciliar a faculdade com a ginástica? E se o meu corpo voltar a vacilar com dores? E se aquilo que penso que seja o meu sonho, seja apenas uma simples miragem? E se….

Naquele momento a minha cabeça estava um caos e os meus amigos eram o meu porto mas ao mesmo tempo só conseguia sentir saudade de tudo, das nossas discussões, das nossas alegrias, das nossas tristezas, dos nossos amores e desamores. Só queria poder voltar a traz no tempo e passar novamente por aquelas maravilhosas e fantásticas férias. Num movimento involuntário, uma lágrima solitária escorre-me pelo meu rosto de forma lenta e sofredora, mas limpo-a de imediato antes que chegue ao fim.

- Vocês prometem que nunca me irão esquecer? Mesmo conhecendo amigos novos? – perguntou-nos a Susana com uma voz quase sumida pelo barulho do rebentar das ondas, ao olhar na minha direcção os seus olhos estavam vermelhos, vermelhos de choro.

- Nunca amor, nunca! Eu adoro-vos muito…já não consigo viver sem vocês!

- Tu fizeste uma pergunta bem ao teu jeito, tola! Alguma vez eu vos trocaria por seja quem for….só se endoidecesse…

- Estou mesmo a ver que vamos entrar no momento lamechas certo? – disse a sorrir – então deixem-me ser primeira antes que me arrependa do que quero dizer…

- Ui! O que é que aí vem…estou a ver que vamos ouvir-te durante horas… - disse de imediato o Rafa

- Nem comeces, ouviste oh ranhoso! – disparei – se não queres ouvir, mete a cabeça na areia!

- Não lhe ligues Raquel….diz lá que depois sou eu que faço o discurso…

- Está bem! Eu sinceramente não sei como começar mas aqui vai… - respirei fundo e encarei-os – Eu juro que já não sei como viver sem vocês….a minha vida sem vocês não faz qualquer sentido. Neste momento, já sinto saudades de tudo, das nossas brincadeiras idiotas, das nossas gargalhadas sem fundamento, das nossas viagens, dos nossos fins-de-semana passados na casa de férias. Sinto saudade das nossas confusões e discussões, das lágrimas que derramei por vossa culpa, dos momentos em que não sabia o que dizer mas que um gesto apenas fazia-vos levantar um sorriso. Eu dava tudo para que pudéssemos ficar sempre juntos…não me importava que discutíssemos a todo o momento mas desde que vos pudesse ver, era uma alegria enorme para mim.

- Ai rapariga…que exagerada que estás hoje – disse o Rafa de forma insensível

- Mas estás parvo ou quê? Desculpa lá se gosto de vocês e que não vos quero perder…desculpa lá se não te importas connosco…

- Eu importo-me com vocês mas também não vou fazer uma tempestade num copo de água por causa das nossas vidas….nós vamos estar na mesma faculdade….

- Mas já viste os nossos horários? – desta vez a Su interveio – pudemos estar na mesma faculdade mas os horários não coincidem em nada! Só nos podemos encontrar um dia de manhã…achas isso suficiente?

- Como é obvio não acho suficiente…mas também não é preciso exagerar! Por amor de Deus….nós moramos quase juntos! Podemos estar juntos sempre que quisermos….

- Oh! Não percebes que a partir de amanhã não vamos ter tempo para mais nada….eu só quero ter a certeza que sempre que precisar, quando o meu mundo estiver negro, eu possa ir à minha lista de contactos do telemóvel e que os vossos números estejam disponíveis 24 horas por dia.

- O meu número, para ti, está disponível 48 horas por dia – disse-me prontamente a Su. Como eu amava aquela miúda…

- Olha lá oh Quê, experimenta só em me telefonares às tantas da noite para me perguntar o que deves vestir no dia seguinte….é só para casos de morte ou morte!

- Tu és mesmo calhau!

- Não lhe ligues Raquel….ele está com inveja porque tu vais-me ligar primeiro do que a ele… - o Rafael pega numa mão cheia de areia e despeja para dentro do vestido que a Su levava vestido – ai meu grandessíssimo…. – não terminou o que ia dizer e mandou-lhe areia também. Eu levantei-me e corri para bem longe deles

- Anda cá oh Quê! Não penses que te vais escapar assim tão facilmente – gritou ao mesmo tempo que se tentava defender da Susana

- Nem penses! Não te vou deixar aproximar de mim… - depois de largar a Su que já estava exausta de tanto espernear, veio na minha direcção. Comecei a correr para longe dele, mas foi um esforço em vão porque eu já sabia que ele me apanhava – Por favor…areia não… - suplicava enquanto ele pegava uma mão cheia de areia – Rafa…eu adoro-te, tu sabes! – ele largou a areia e olhou-me de forma provocadora, correu na minha direcção e pegou-me ao colo e foi em direcção à água gélida do mar – NÃO! – gritei bem alto – eu não tenho biquíni….nem roupa extra Rafa!

Ele põe-me no chão sem nunca me largar e tira-me a roupa que tinha vestida (era simplesmente um vestido branco) e ele faz o mesmo com a roupa dele e atira-a para bem longe da água.

- Agora Raquel já não tens desculpas…

Ele pega-me novamente mas desta vez como seu eu fosse um saco de batatas. Foi entrando lentamente na água do mar para que o seu corpo se habitasse à temperatura da água. Quanto mais sentia o ar frio vindo do mar mais ficava arrepiada, o mesmo acontecia com o Rafael que tinha pele de galinha e sempre que avançava para dentro da água estremecia.

«3,2,1», ouviu contar e sem dar por isso sou projectada em direcção à água e todo o meu corpo vai agarrado aos braços do Rafa. Um choque térmico do tamanho do mundo invade o meu corpo, era como se estivesse a mergulhar em gelo. A água entra pelos meus ouvidos a uma enorme velocidade que me faz imensa confusão, uma enorme turbulência instala-se à volta do meu corpo e de um momento para o outro o meu corpo é levado novamente á superfície. Ao chegar à superfície, sinto um enorme alivio mas ao mesmo tempo tento perceber aonde estou. A primeira pessoa a ver foi a Susana que também já estava na água e fui de imediato ter com ela.

- O Rafa? Onde é que ele está? – perguntei ainda ofegante

- Era isso que estava a tentar perceber…mas não o encontro, só a luz da Lua não ajuda muito! – uma sensação esquisita invade o meu coração, o que me faz ir novamente para dentro de água mas algo trava-me o movimento.

- Estou aqui Quê! – ao vê-lo o meu coração alivia a tensão que se começava a instalar

- Estúpido! Não vês que com esta escuridão nós não vimos nada!  

- Desculpem…não era a minha intenção!

- Era só o que faltava se fosse com intenção! – interveio zangada a Su – Tu queres-me matar do coração? Fogo!

Ele chegou-se ao pé dela e deu-lhe um abraço, ela ainda tentou resistir mas deixou-se levar pelo amigo. Saímos calmamente da água e eu fui buscar a minha roupa que estava quase na outra ponta da praia. Fui arrastando os pés pela areia no intuito de apanhar conchas mas tive azar e nem uma para a amostra apanhei. 

Ao chegar às rochas peguei na minha roupa e na do Rafa e fui em direcção novamente a eles.
Ao olhar para onde eles estavam reparei que eles estavam muito longe mas uma ideia brilhante apareceu na minha mente e assobiei. Eles olharam para mim

- Susana, vê se consegues fazer isto! Rafa filma!

Quando o Rafa já estava pronto comecei a correr em direcção a eles, antes de começar o que tinha planeado atirei a roupa para o lado e quando já não tinha nada na mão fiz duas das minhas séries gímnicas de solo seguidas na areia. Terminei mesmo em cima deles e provoquei a Su. – vê se consegues fazer melhor!

- Oh minha Raquel…nem sabes com quem te estás a meter! – ela tirou o vestido que já tinha vestido e olhou para mim – Eu sou a melhor no solo Quê! Não me vais bater.

Ela olhou uma última vez para mim e sorriu como se já tivesse ganho. Como é obvio, não tinha qualquer esperança de lhe ganhar, ela era muito mais poderosa e firme no solo do que eu. Ao terminar o Rafa gritou

- The winner is Susana Freitas! – chegamo-nos ao pé dela – o que tem a dizer da sua enorme vitória frente á sua grande concorrente Raquel Alves?

- Obrigada, foi uma prova muito complicada mas estava confiante na minha performance.

Não podemos evitar de rir, quantas e quantas vezes nós não fazíamos competições caseiras só para nos divertir. Sem nos apercebermos já tinha passado imenso tempo e já estava na horinha de ir para casa.

- Vá vamos embora meninas! – começou o Rafa num tom de voz poderosa – Tenho que vos levar a casa antes que os vossos pais me matem!

- Sim é melhor…além disso amanhã temos que levantar cedinho – disse com cara de amuada a Susana, ao mesmo tempo que abria a boca em sinal de sono
Antes de sairmos fomos buscar a nossa roupa e vestimo-nos. Ao chegar ao fim da escadaria que dá acesso à marginal fomos interrompidos por uma voz desconhecida

- Rafael? – chamaram.

Olhamos para o lado mas eu não me apercebi de quem era por causa da falta de luz, olhei para a Susana e ela estava com a mesma cara que a minha. Pelos vistos, o Rafael conhecia-os pois foi em direcção a eles, cumprimentaram-se e depois de uma dúzia de palavras ele chama-nos. Mesmo com a aproximação continuava a não perceber quem era

- Bem meninas, estes são o Ruben Amorim e o David Luiz. Estas são a Susana Freitas e a Raquel Alves – disse com um enorme sorriso.

Uma luz branca e brilhante percorre-os e finalmente consigo vê-los, ambos estavam a olhar seriamente para nós e com tanta pressão sobre nós sinto um enorme arrepio na espinha.

- O Rafael já nos tinha dito, nos nossos jantares, que vocês eram estrondosas na ginástica mas por aquilo que vi vocês são perfeitas! – disse muito calmamente o Ruben

- O que é que andas a dizer sobre nós Rafael Alexandre? – disse a Susana ao mesmo tempo que puxava o braço direito dele – Explica-te! – ordenou

- Sou capaz de ter dito, assim sem dar por isso, que voc­ês eram as melhores ginastas deste planeta!

- Nós? Melhores ginastas do planeta? Ai minha nossa! O que andaste a inventar….

- Mas calma aí….tu disseste que nos viste, aonde é que foi isso? – perguntei educadamente

- Foi mesmo agora, aquele espectáculo que vocês deram na areia! Nós estávamos a passar e vimos!

- Oh…aquilo não foi nada de especial….já fizemos melhor! – peguei no meu relógio que estava na mala para ver as horas mas este caí e rola até aos pés do David. Ele pega nele e dá-mo, o sorriso dele era encantador e o olhar penetrante mas desviei rapidamente o olhar e concentrei-me na Lua.

Ela estava, estranhamente, com um sorriso diferente de os outros dias e com um brilho diferente. 

2 comentários:

  1. Bem que lindo :D
    Adorei a parte da ginástica!
    Adorei, adorei, adorei!
    Bem agora quero mais sim?
    Fico à espera do próximo!
    Beijinhos Inês**

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  2. P.S passa pela nossa fic e diz o que achas ;)
    -->http://nemoceueolimete.blogspot.com/

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