"És a última peça do meu puzzle...és a última peça do meu coração....és a última peça para ser feliz"

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Capitulo 4 - Um novo amigo...


- Está tudo bem? – perguntou-me bastante preocupado enquanto subíamos para o autocarro que tinha chegado. Pedi licença a umas quantas pessoas para passar e quando arranjei lugar respondi-lhe

- Está! Foi só um pequeno desentendimento entre amigos…nada mais!

- Tens a certeza? Eu sei que não nos conhecemos assim há tanto tempo quanto isso mas podes confiar em mim…

- Obrigada, é bom saber isso! Mas não te preocupes…eu estou bem! 

Olhei para o telemóvel e não sabia o que responder. Um misto de sensações começou a invadir o meu coração…não sabia se haveria de aceitar ou não, apenas o tinha conhecido à dois dias. Olhei em frente à procura de respostas para a minha pergunta mas apenas via um nevoeiro, como se tivesse sozinha no autocarro, como se tivesse num mundo só meu.

Mas também que mal faz em aceitar?, pensei para comigo, Foi ele que me convidou…além disso ele é super simpático e o Rafael nunca disse mal dele. Ai, que raiva! Respirei fundo e ganhei coragem para mandar a mensagem

“Ola. Tu não incomodas nada! Por mim pode ser quando quiseres…tu é que tens a agenda mais preenchida e não eu!
Bjs
Raquel *-*”

Um sorriso parvo apareceu no meu rosto ao mesmo tempo que ficava ansiosa pela resposta dele. Olhei de novo para o Nuno e ele esta discretamente a olhar para mim. Parecia que estava a ganhar coragem para dizer alguma coisa…

- Posso-te pedir uma coisa? – disse finalmente quando já nos encontrávamos fora do autocarro

- Diz?

- Tens alguma coisa para fazer hoje á tarde? – a voz pareceu-me muito tremida e quase sumida com o barulho dos comboios

- Como agora não posso ter treinos duplos, não tenho nada que fazer da parte da tarde…porquê? – não estava a ver aonde é que ele queria chegar

- Porque…bem… - começou a enrolar as palavras – não sei…talvez queiras passar a tarde comigo?

- Oh… - não estava nada à espera de um convite daqueles mas até achei engraçado….precisava de espairecer um pouco das minhas rotinas, além de que estar a pensar sistematicamente qual seria a resposta do David dava comigo em doida.

- Não queres é? Eu compreendo… - interrompi-o

- Posso passar a tarde contigo! – ao dize-lo um sorriso de orelha a orelha formou-se no seu rosto.

- Prometo que não te vais arrepender!

- Espero bem que sim!

O local escolhido por ele foi irmos ao Vasco da Gama comer um geladinho ao pé do rio. Eu adorei a ideias pois já estava praticamente em casa e assim não tinha que me cansar muito.

Quando estávamos a escolher os gelados, recebo uma mensagem do David

“Por mim pode ser amanhã…que ‘cê acha de jantarmos? Ou tem que levantar cedo? :P”

Sempre que lia alguma coisa dele, o meu corpo parecia que entrava em transe e não me conseguia segurar em pé. Algo se estava a passar comigo e definitivamente com o meu coração, ele estava num turbilhão de batimentos sempre que o nome David ecoava na minha mente.

Acabei por responder quando já estava sentada num banco à beira-rio!

“No dia seguinte entro tarde…não há problema! Então acho que está combinado :P. Escolhes o lugar?”

Pousei o telemóvel em cima do saco e comecei a comer o gelado de chocolate com bom aspecto

- Nunca vi uma ginasta a comer gelados… - disse a rir – És a primeira…

- Isso é porque o meu corpo é o máximo e nunca me privou de comer o que quisesse! Sempre tive uma alimentação bem variada! – enquanto dava comia uma boa colher de gelado

- Ainda bem! Também não acho piada nenhuma aquelas que são extremamente magras e que só têm pele e osso!

- Na ginástica temos que ter um corpo quase perfeito e há algumas raparigas que têm mais dificuldade em controlar o peso corporal por isso têm que ter dietas. Eu não preciso nada disso….o meu corpo é perfeito no que toca a isso.

- Já vi que sim…

- Como? – não tinha percebido o que tinha dito por causa de um cão a ladrar ao pé de nós

- Ham…tens um bom corpo para a ginástica! – apenas sorri e comi mais um bocado de gelado – Anda cá…anda… - chamou o cão abandonado. Ele chegou-se ao pé dele todo contente e começou a abanar a cauda à espera de alguma coisa – Espera que eu tenho aqui uma coisa para ti! – ele tirou do saco dele uma sandes que tinha e deu-lhe. O cão começou às voltinhas à sandes e a ladrar, mas depressa pegou na sandes e levou-a para bem longe de nós.

- Jeito para animais! – afirmei

- É o que dá ter um jardim zoológico em casa em miniatura! – olhei para ele espantada – sim! Tenho dois cães, uma cadela, duas gatas, um papagaio, uma catatua, uma data de pássaros que não sei o nome, um sapo e uma iguana!

- O quê? Estás a gozar? Eu só tenho dois peixinhos…

- Tenho esses animais todos por causa do meu avô…ele adora animais e não se importa que a casa dele parece um jardim zoológico.

- Então já sei o que te oferecer nos anos…um animal que não tenhas!

- Nem penses…já ando cheio de animais… - não pude deixar de rir  

- Pudera! – fiz uma pausa para comer o gelado -  Não tens treino? – perguntei

- Não…hoje tive folga dos treinos, eles têm sido bastante intenso por isso o nosso treinador deu-nos um dia de descanso…

- Quando é que têm jogos? Eu quero ir assistir a um jogo de rugby…só vi pela televisão e não foi grande coisa…

- Então quando jogar eu convido-te a ver! Vais ver que depois não queres outra coisa!

- Não sei não! Olha que eu não gosto muito de porrada….o único jogo que vi até me assustei com o sangue que via escorrer pelos jogadores….

- Eu não costumo dar muita porrada…eu sou o ponta… - olhei para ele sem perceber o que fosse um “ponta”

- Eu por acaso tenho cara de quem percebe de rugby? Para mim isso é tudo chinês…

- Ok…eu explico de forma a entenderes…basicamente um ponta corresponde a um avançado no futebol…   

- Ah…então não dás porrada aos outros?

- Claro que dou…mas não é tanta…normalmente fico mais resguardado para me poderem passar as bolas.

- Isso para mim é muito confuso….tenho mesmo que ver um jogo desses ao vivo para poder tirar conclusões… - o meu telemóvel volta a tocar

“O lugar já está escolhido…depois digo p’ra você qual é a roupa mais indicada p’ra levar! ‘cê não se vai arrepender…”

Novamente uma estranha sensação de alegria instala-se no meu coração, uma enorme vontade de sorrir invade o meu espírito.

- É o teu namorado? – perguntou-me o Nuno. Aquela pergunta deixou-me completamente sem jeito corando de imediato

- Não não…é só um amigo! – tentei manter a calma e não corar mais

- Não parece…pela maneira como sorrias a olhar para o telemóvel…

- Acredita que não é! Eu estou solteira e muito bem….e tu? Ainda não me falaste dos teus assuntos do coração… - tentei desviar o assunto de mim

- As namoradas só trazem chatices….

- Olha como falas das mulheres menino Nuno!

- Vocês são muito complicadas…quando dizem que não querem é porque afinal querem, mas se dizem que querem é porque afinal não querem….não sabem dizer logo o que querem…assim nós não precisávamos de fazer figura de estúpido.

- As mulheres é que estão certas…vocês é que são demasiado lentos para perceber as necessidades de uma mulher…

- Pois pois…nós somos muito mais práticos…não andamos com rodeios…

- Práticos? Vocês são é primitivos, isso sim!

- Nós é que devíamos ter um manual de instruções de como lidar com uma mulher…

- Acho melhor terminarmos aqui com esta conversa…não me parece que chegaremos a algum consenso.

- Eu também acho que não… - olhou para mim e começou-se a rir – queres dar uma volta até ao lago?

- Pode ser…já começo a ficar quadrada de estar sentada…. – levantamo-nos e fomos em direcção ao lago – disseste que as namoradas só traziam chatices….tiveste algum mau relacionamento?

- Não foi um mau relacionamento…só que acabamos porque a distância é um problema…

- A distância nunca pode ser um problema para o amor…

- Neste caso acho que foi…

- Nunca ouviste dizer que a distância pode separar dois corpos mas nunca dois corações?

- Já! Mas não se verificou….ela foi para os Estados Unidos e achou que o oceano era demasiado grande para a nossa relação! Nunca chegou a dizer o porquê de querer acabar mas eu supus que ela tivesse encontrado outra pessoa!

- Namoraram muito tempo?

- Foram três anos e meio!

- Tenho pena….mas se te serve de consolo foi ela que ficou a perder e não tu! – ele olhou para mim e sorriu – Vais ver que num instante já tens outra namorada…na nossa turma não tens muita escolha mas a faculdade está cheia de atletas giras!

- Só tu para me fazeres rir! – fez uma pausa – E quem te disse que não posso escolher a rapariga da nossa turma…

- Lamento mas se tiveres a falar de mim, neste momento não estou livre para amar…desculpa!

- Porque não?

- Demasiados problemas…prefiro neste momento estar sozinha! Por isso não te apaixones por mim ouviste? Desvia esse coração para outro lado…  

- Mas podes mudar de ideias não?

- Ai ai Nuno! Não te ponhas com ideias…eu estou bem assim e não quero mudar tão cedo…

- E se te fizerem abanar o teu mundo? Foges?

- Que raio de perguntas são essas? São muito complicadas de responder…

- Ok…mudamos de assunto! – nesse momento o meu telemóvel toca…era a Susana – não vais atender? – disse enquanto punha o telemóvel no bolso

- Não! Neste momento não me apetece falar com ela…

- Foi por causa daquilo que se passou no café?

- Sim…eles fizeram uma coisa que eu não gostei nada mesmo! E nem vale a pena eles virem pedir desculpas porque não os desculpo assim tão facilmente!

- Foi mesmo grave?

- Para mim foi! Eles sabem perfeitamente que eu não gosto do que fizeram, mas mesmo assim fizeram-no sem consideração nenhuma por mim!

- Eles devem estar arrependidos pelo que fizeram….também não podes ser assim tão dura…

- Sou dura sou! – o meu telemóvel voltou a tocar e desta vez era o Rafael. Voltei a pôr o telemóvel no bolso sem atender. – Acho que está na nossa hora não? – olhou para o relógio

- Sim…já está na hora! - nesse momento voltamos a ouvir um ladrar de um cão a vir na nossa direcção. O cão começou a andar a nossa volta para chamar a atenção - Acho que ele nos quer mostrar alguma coisa!

- Desde que seja rápido - respondi

- Como queres que saiba? - olhei para ele - pronto! Mostra-nos o caminho? - disse para o cão. Ele levou-nos para uns metros mais à frente para um canto escuro. Quando vamos a ver melhor reparamos que havia dois cachorrinhos! - Olha! Ele deve ter levado a sandes para eles!

- Pois! O que fazemos?

- A mãe deve andar por perto! Vou fazer o seguinte, amanhã vou ao veterinário e digo que existe uns cachorros abandonados aqui. E depois vemos o que fazemos. 

- Por mim pode ser! Só sei que não posso ficar com eles!

- Nem eu! Quando chegar a casa ainda lhe telefono - tivemos uns minutos ao pé dos cachorros - Vamos?

- Sim...Eu vou contigo até há estação de metro está bem?

- Não é preciso vires acompanhar-me…eu sei o caminho e não me importo de ir sozinho!

- Está fora de questão! Eu vou contigo e não há discussão – a voz do David ecoou na minha cabeça, desta vez não me fez corar mas apenas sorrir!

Fui leva-lo até há estação de metro e depois segui em direcção a minha casa. Ao entrar em minha casa, fui directa para o meu quarto e deitei-me na cama a descansar. Um certo nervosismo começou ao pensar, agora mais a sério, com quem é que ira jantar. Mas estava sempre com um sorriso parvo no rosto!

- Ai que a minha maninha está apaixonada! – disse o meu irmão ao espreitar para o meu quarto. Ao vê-lo atirei com uma almofada

- Mete-te na tua vida pirralho!

Virei a cara para o outro lado e fechei os olhos, deixei-me ser embalada pelos pensamentos que teimavam em ficar na minha mente sobre o David.


1 comentário:

  1. Uau, lindo +__+
    ADOREI!!
    Quero mesmo é saber como vai correr o jantar com o David (:
    Só me resta pedir e esperar por mais!

    Beijinhos Inês**

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