"És a última peça do meu puzzle...és a última peça do meu coração....és a última peça para ser feliz"

terça-feira, 19 de abril de 2011

Capitulo 1 - O sorriso da Lua (Parte III)


O David pegou de imediato em mim com cuidado para não me magoar mais e levou-me para casa dele. No caminho para a casa dele passamos pelo Ruben que vinha em direcção ao carro.

- O que se passou? – perguntou ao ver sangue a escorrer do meu pé – Quem te fez isso?

- ‘Cê pare de fazer perguntas e me tire do bolso as chaves de casa! – ordenou e o Ruben abriu o mais rapidamente a porta de entrada. Subimos pelas escadas a correr ao mesmo tempo que largava um rasto de sangue pelas escadas. O Ruben voltou a abrir mais uma porta e o David pôs-me num sofá – Vai buscar algo com água! – disse para o Ruben e ele fê-lo – ‘Cê vai ficar bem? – disse tentando acalmar-me

Estava a sentir uma dor muito forte por minha culpa. Se eu não tivesse calçado as sandálias nada daquilo estava a acontecer, sabia perfeitamente que o meu pé ainda não estava a 100% e agora tinha acabado de estragar tudo. A minha réstia de esperança de voltar a competir foi completamente abalroada por uma simples pedra da calçada.

O Ruben apareceu muito rapidamente com uma bacia com água quente e pô-la à minha frente. Pus lá o meu pé e o sangue começou a envolver a água, senti um alívio de dor que me fez, pela primeira vez, parar de chorar com tanta intensidade.

- Olha onde é que tens as ligaduras para pôr debaixo do pé dela? – perguntou o Ruben

- Está no armário, na segunda gaveta a contar de baixo – disse de imediato o David – como se tá sentindo?

- Muitas dores… - o David tirou o meu pé da água e tentou perceber o estado do meu pé

– ‘Tá muito feio isto!

– Acredita que não está tão feio como o meu coração…

Quando tocou na ferida provocada pela pedra, num reflexo, a minha perna é projectada para junto de mim

– desculpe….

- Não faz mal – voltei a pôr o pé na água e o sangue continuava a escorrer. Entretanto chega o Ruben com uma mala de primeiros socorros e tira lá de dentro ligaduras para envolver o meu pé. Ele tirou de novo o meu pé delicadamente para não me magoar e limpou a água em redor da ferida.

- Sou uma idiota… - desabafei – neste momento tenho a minha carreira em risco porque fui inconsciente…nunca devia ter ido há praia…nunca devia ter calçado estas estúpidas sandálias…não devia ter saído de casa

- ‘Cê não tem culpa do que aconteceu….podia se ter machucado em casa…

- Mas não foi em casa….podia ter evitado! – respirei fundo para tentar não pensar em coisas negativas

- Vou desinfectar primeiro tá bom? Só vai doer um pouquinho… - disse e eu assenti que sim. Deixou o meu pé pousado na beira da bacia e tirou um bocado de algodão e pôs um líquido que não reparei qual foi. Voltou a pegar no pé… - 1,2,3 – colocou o algodão em redor da ferida que me fez desejar cortar o pé, um gemido alto fez-se ouvir em toda a casa – me desculpe mas não posso fazer com que tenha menos dor… - as lágrimas voltaram a assombrar a minha face enquanto o David, com imensa delicadeza continuava a desinfectar-me a ferida.

A suavidade com que tocava na minha pele era de uma forma tão estranha e irreal, era como se ele se tratasse do próprio algodão, suave e perfeito. Cada toque dos dedos dele em redor da ferida não me provocava dor mas sim um arrepio enorme pela espinha. Cada sopro que fazia antes de colocar o algodão fazia vacilar o meu coração querendo sair do meu corpo. A dor continuava lá, continuava a fazer-me chorar mas aqueles gestos, de uma forma magnífica, acalmavam a dor….podia não acabar com ela mas tornava-a mais suave.

Depois de desinfectar tirou a ligadura e começou a pôr em redor da ferida apertando com força para que esta ficasse bem presa. Mesmo fazendo força, não me magoava, era uma força controlada simplesmente para manter a ligadura segura. Entretanto recebo um telefonema da Susana


- Sim amor… - disse tentando não mostrar a dor que estava a sentir

- Que vozinha é essa Raquel? – ela conhecia-me demasiado bem para saber se estava tudo bem ou não

- Não é nada Su…

- Ai ai! Raquel o que se passou? Já estás em casa? – agora ela estava preocupada e por isso não lhe podia mentir

- Não…ainda não estou em casa…. – disse tentando controlar as lágrimas

- Como não? Então aonde estás?

- Estou em casa do David….aconteceu uma coisa…. – a minha voz começou a falhar com o medo do que pudesse vir a seguir…

- O que aconteceu Quê? Por favor diz!

- Bem… - a voz falhava cada vez mais – rasguei o meu pé… - disse no meio de soluços provocados pelo choro. O Ruben que estava ao meu lado envolveu a minha cabeça com os braços dele e pediu-me calma

- Rasgaste? – a voz dela denunciava uma tentativa falhada de controlar também ela o choro – Tem calma Raquel…vai tudo correr bem…

- Correr bem? – uma raiva imensa começou a percorrer o meu corpo – Susana é a segunda vez em dois meses que o meu pé rasga! Como queres que reaja bem? O treinador tinha razão….o meu pé não aguenta os meus treinos!

- Raquel….

- Não é Raquel nem meio Raquel, sabes que tenho razão! O meu pé já passou o limite de validade há muito….a partir desse momento só estou a sofrer por pensar que posso chegar a algum lugar…

- E tu também sabes que isso é mentira Raquel! No ano passado tiveste nos Europeus quando ninguém contava…só tens que lutar contra as lesões….vais ver que vais ser recompensada!

- Não foi a mesma coisa…tu sabes disso! – oiço um bip em como alguém me estava a tentar telefonar – O Rafa está a telefonar-me…

- Por favor liga-me depois a dizer-me como estás…

- Está bem….até já – desliguei a chamada e atendi a outra – Sim Rafa?

- É só para te dizer que já estou na cama pronto a dormir para amanha levantar-me cedo! Amanhã às 6h45 à porta de minha casa? – ele falou tão rápido que nem tive tempo de dizer nada

- Sim…está combinado….

- Está tudo bem? Já chegaste a casa?

- Sim…está tudo bem mas ainda não cheguei a casa – menti

- Hummm…está aí qualquer coisa estranha mas está bem! Vemo-nos amanha Quê! Beijinhos

- Beijinhos – desliguei a chamada e reparei que o David já estava a terminar pois já estava a limpar o meu pé.

Ao terminar tirou a bacia debaixo dos meus pés e pousou-o no chão delicadamente para não me magoar.

- Como ‘ce tá sentindo agora?

- Muito melhor….obrigada! – agradeci – nem sei como vos agradecer…

- Não tens que agradecer…fui eu que te deixei sozinha no carro…não o devia ter feito! – disse o Ruben bastante triste

- Nem penses que a culpa é tua! É simplesmente minha, eu é que não devia ter calçado as sandálias….tinha a plena noção que o meu pé não estava bem e não o podia expor a tantos problemas.

- ‘Cê consegue andar? – perguntou-me o David, levantei-me devagar com a ajuda dele e tentei caminhar um pouco. Conseguia mas era com imensa dor…encaminhei-me até à janela e espreitar através dela vendo a Lua.

Estás a sorrir para mim, estás?, disse para comigo enquanto a mirava, Sorris com as minhas desgraças é? Realmente não te entendo!

Levantei o meu pé direito para ver como estava por baixo e, graças a Deus, ainda não se via sangue nenhum. Sinal de que podia estar a ser estancado e que assim melhorava mais rapidamente. Voltei novamente para onde estava com algum custo mas melhor do que a primeira vez e sentei-me novamente no sofá.

- Bem eu agora vou levar-te a casa aonde já devias estar… - disse o Ruben ao levantar-se

- Obrigada mais uma vez…aos dois! E desculpa David por ter sujado a tua casa… - havia um rasto ténue de sangue desde a entrada da casa até ao local aonde me encontrava – devia limpar isto tudo!

- Ei! ‘Cê nem pense nisso não….agora ‘cê vai para casa descansar que é o que precisa! Eu depois limpo isto!

- Tens a certeza? Olha que eu posso limpar…não preciso do pé para limpar o chão…

- Nem pensar! Não me sentiria bem se eu deixasse você limpar o chão…

- Se é assim…então acho que podemos ir embora! – disse para o Ruben

- Sim vamos – o Ruben despediu-se do David – passas por minha casa antes do treino? – perguntou

- Sim…eu vou lá! – desta vez fui eu que me despedi do David.

Algo fora do normal percorreu o meu corpo, o perfume que provinha do seu corpo era qualquer coisa de extraordinário que me faz desejar parar o tempo. Ao tocar na sua face, o meu corpo sofre uma combustão de adrenalina que me faz corar. Tentei esconder o vermelho das minhas maças do rosto afastando-me rapidamente dele. Apenas sorri, quando já estava do outro lado da porta, para ele em sinal de agradecimento.

A viagem até casa correu rapidamente e sem mais nenhum problema. Ao chegar a casa acabei por telefonar à Susana e ao Rafael e deitei-me pouco depois completamente derrotada pelo cansaço. A minha mente apenas viajava pelas imagens da trave o que me deixava completamente desolada!


4 comentários:

  1. Adorei, ta lindo!
    Quero ver como a historia rola :D
    Beijinhos

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  2. Está lindo, lindo +__+
    Adorei!!
    Agora quero mais! Sim?

    Beijinhos Inês **

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  3. esta muito bom, parabens
    estou anciosa pelo proximo, ficarei a espera
    beijinhos
    continua

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